A Anti-Garota de Ipanema

Yes, nós somos branquinhas!

Ouço variações sobre o mesmo tema o ano todo, mas o auge do verão faz com que brincadeiras sazonais virem verdadeiras acusações contra mim. Quando o  Rio de Janeiro começa a ferver e a densidade demográfica da cidade na beira de praias e piscinas (e sobre lajes e puxadinhos) aumenta exponencialmente, as vozes de colegas de trabalho, vizinhos e desconhecidos intrometidos transformam-se em um coro: “Gabriela, vá tomar um sol!”

Pessoalmente não vejo lá muita graça em ficar cozinhando sob o sol. Nunca fui entusiasta das marquinhas de biquini e só de pensar no ressacamento excessivo que o bronzeamento trás, minha alma de mulherzinha se compunge. No entanto, cada um sabe o que faz com a sua pele, sem que seja necessário Pedro Bial recitando poeminha sobre o uso consciente do filtro solar. Não é que eu queira me insurgir contra os padrões vigentes de beleza, e sozinha levantar a bandeira do “bronzeado de escritório, estilo papel sulfite” – estou, afinal, alguns séculos atrasada para virar musa (na renascença italiana eu teria um pouco mais de sorte, por exemplo). Também não é como se eu fosse pregar castigos infernais, fogo, enxofre & melanomas a todo mundo que gosta de tomar sol. Mas não, não tenho paciência para esse patrulhamento de estação. Pensando nisso, elaborei um FAQ para desocupados em geral que vem me sacanear/importunar durante os meses mais quentes do ano.

1 – Você não se bronzeia?

R: Não.

2 – Nunca?

R: Nunca.

3 – Você sabe que escolheu a cidade errada para viver, né?

R: Nenhuma cidade é errada quando você pode contar com um arsenal de chapéus, óculos escuros, bloqueadores solares fator 50.

4 – Ah, você é daquelas que não gostam de praia!

R: Eu adoro. Sempre depois das 4 da tarde. (antes das 10 da manhã não, porque minha religião não permite que eu acorde tão cedo)

E agora, a campeã no quesito Falta de Noção:

5 – Não tem vergonha de usar saia curta com essas pernas brancas, não?

R: Estas belas pernas brancas, você quer dizer? Não, não tenho, mas agradeço a preocupação.

 

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e sei que o tal colo de alabastro que fez a fama de Inês de Castro não impressiona mais muita gente por aqui. Eu não dou a mínima, desde que não me encham a paciência. E digo mais:  que o maestro Tom Jobim e as moças dos corpos dourados pelo sol de Ipanema me desculpem – eu estou mais é pra turma da Celly Campello.

Prato do Dia: Contra Vento e Maré, Mario Vargas Llosa

Um trecho da introdução à  primeira edição.

“Ao final de tão copioso volume, o abnegado leitor descobrirá, com a mesma perplexidade que eu, que o livro contém mais dúvidas que certezas, e que estas são tão simples e breves que cabem em quatro palavras: que a literatura, afinal de contas, importa mais que a política, à qual todo escritor deveria acercar-se somente para obstruir-lhes os lances, lembrar seu lugar e opor-se a seus malefícios; que a liberdade é inseparável da justiça social e que aqueles que as dissociam, sacrificando a primeira no sentido de alcançar mais rapidamente a segunda, são os verdadeiros bárbaros de nossa época.; que por oportunismo, covardia ou cegueira, o intelectual contemporâneo soe ser um diligente aliado ao banditismo; e, por último, que embora o pessimismo pareça ser uma atitude mais realista que o otimismo para encarar o futuro da América Latina, isso de maneira alguma significa resignar-se e erguer os braços, e sim continuar batalhando, nessas duas frentes, que na verdade representam uma única: contra o horror da ditadura militar, a exploração econômica, a fome, a tortura, a ignorância, e contra o horror da ditadura ideológica, os partidos únicos, o terrorismo, a censura, o dogma e os crimes justificados com a restrição da história.”

Não é bem assim

Para a Beta

 

Embora digam o contrário (e eu mesma jamais tenha me dado ao trabalho de desmentir) não tenho vocação para a boemia. Contarão a você como durmo o dia todo, bebo demais, arrumo briga, faço escândalo, tenho crises de ciúmes e vaidade, quebro a louça, saio à toda, sem olhar para trás. E é bom que você acredite, ainda que minha fama ultrapasse a real dimensão dos meus feitos. Exageros à parte, o rosário de pecados que desfiam a meu respeito foi compilado com rigor – da reincidência de vadiagem na ficha corrida à paixão irremediável e absoluta por um alguém diferente de quando em quando.

Mas te juro: não é como se houvesse um chamado da lua para que eu cante. Nem como se fosse meu destino encenar a mesma comédia de erros sob as muitas fases do holofote branco. Se quando o sol se põe me sinto compelida a repetir meus simulacros de intensidade, é só porque assim a insônia se dilui nos artifícios que uso para esquecer que possuo apenas três estações.

O que posso fazer com o punhado de noites que me separam do meu fim senão estirá-las ao máximo e delas extrair, com meu virtuosismo exagerado, todos os acordes que puder para o meu próprio réquiem? O inverno congelará minhas asas e endurecerá minhas patas e abafará meu canto – morrerei imóvel e silente como uma fotografia daquilo que um dia eu fui. E essa é a pior morte para alguém como eu.

Se eu penso em alternativas, você me pergunta, mas é claro que penso. Em tardes abafadas como essa eu penso. E se eu tomasse jeito, acertasse as contas, controlasse os nervos, os vícios, as explosões. Colocasse em prática algum dos meus muitos planos brilhantes que não levo adiante. Ou me ativesse à segurança das medidas que dão certo; só a mimese do que elas fazem já seria suficiente. Veja a colônia lá embaixo: cartão de ponto, oito às seis, divisão do trabalho, estocagem contínua de alimentos e manutenção das dependências. A rotina que as salvará não só da neve, mas delas mesmas. O verão, no entanto, mal começou, e daqui onde estamos teremos a melhor vista das últimas luzes. Olha, o fim do dia se aproxima e estou certa de que posso sincronizar o início do meu canto com a primeira estrela que logo despontará. Você gostaria de ver isso, não gostaria? Melhor do que cansá-lo com minhas histórias bobas, me desculpa. Vem cá, dá um beijo.

Prato do Dia: Contato, Carl Sagan

… A mãe lhe dera outro presente. Com essa carta, Ellie voltara ao passado e dera consigo há tanto tempo. Tinha aprendido muito desde então. E havia muito a aprender.

Sobre a mesa em que estava o telefax, havia um espelho. Nele Ellie viu uma mulher nem jovem nem velha, nem mãe, nem filha. Haviam agido bem ao lhe negarem a verdade. Não era suficientemente avançada para receber aquele sinal, muito menos para decifrá-lo. Toda sua carreira tentara fazer contato com os mais remotos e exóticos dos estranhos,, enquanto em sua própria vida não fizera contato com ninguém. Mostrara-se feroz em desmascarar os mitos de criação de outras pessoas, esquecida da mentira que constituía a essência de seu próprio mito. Durante toda a sua vida estudara o universo, mas desprezara sua mais clara mensagem: para criaturas pequenas como nós, a vastidão só é suportável através do amor.

Stalkers – uma homenagem

Charlize, querida, da próxima vez não coloca o seu endereço residencial no Facebook, tá?*

Um post  para a Nassim, claro.

Rômulo -  meu amigo não tão preocupado com minha integridade física quanto com a quantidade de piadas que pode extrair de meus pequenos dramas cotidianos – diz que eu tenho um talento especial para atrair stalkers. A teoria dele é de que eu só estou viva até hoje porque os meus personal-psychos estão ocupados em um torneio. O campeão, claro, terá por prêmio a minha cabeça.

Claro que qualquer um com um blog e meia dúzia de contas nas principais redes sociais pode ser uma vítima potencial da prática (e vamos ficar apenas no “saudável” cyberstalking, porque nem vale a pena comentar sobre o quão bizarro é ter uma pessoa te seguindo por onde quer que você vá na vida real). Eu coleciono algumas boas histórias. Como os  e-mails de quatro caras diferentes que eu imaginava terem sido tragados pela terra e que resolveram dar um alô coincidentemente na semana em que terminei um namoro. Ou uma ligação numa manhã de domingo porque o sujeito se dizia “preocupado” comigo: ele havia acompanhado meu last.fm de madrugada e visto que eu havia passado a noite ouvindo a banda x e que, por conseguinte, só poderia estar deprimida. Quem é que consegue voltar a dormir depois disso, me diz?

Mas, verdade seja dita, qualquer um com um blog e meia dúzia de contas nas principais redes sociais pode ser também um stalker em potencial. E que atire o primeiro pixel quem nunca comparou scrapbooks, escarafunchou álbuns virtuais de fotos, foi checar status de relacionamento no Facebook; quem nunca se irritou com configurações de privacidade – alheia, claro – e não fez um pequeno muxoxo quando o Orkut (falecido Orkut, descanse em paz!) lançou aquela ferramenta que permitia que as pessoas soubessem quem acessou o perfil delas.

Foi pensando no pequeno stalker perdido dentro de cada um de nós, pessoas normais que NÃO ligam para as outras às oito horas de uma manhã de domingo para perguntar sobre a playlist da madrugada, mas que ainda assim não podemos nos furtar às conjecturas sobre a vida alheia, que Neil Gaiman compôs essa maravilha de poema, musicado pela Amanda Palmer.

I Google you
Late at night when I don’t know what to do
I find photos you’ve forgotten you were in
Put up by your friends

I do, I Google you
When the day is done and everything is through
I read your journal that you kept that month in France
I’ve watched you dance

And I’m pleased your name is practically unique
It’s only you and a would-be PhD from Chesapeake
Who writes papers on the structure of the sun
I’ve read each one

I know that I should let you fade
But there’s that box and there’s your name
Somehow it never makes the pain grow less or fade or disappear
I think that I should save my soul and I should crawl back in my hole
But it’s too easy just to fold and type your name again, I fear

I Google you
When I’m all alone and feeling blue
And each scrap of information that I gather
Says you’ve found somebody new
And it really shouldn’t matter
Ought to blow up my computer
But instead…
I Google you

 

Breves biografias, para facilitar o devido ‘estalqueamento’ dos envolvidos:

Gabriela Ventura é stalker ocasional, e pretende manter sua cabeça colada ao corpo em 2011.

Nassim Natalie é stalker em recuperação e eu sou Catarina da Áustria.

Rômulo Pereira é só um inútil mesmo, cuja vida não interessa a ninguém.


* A foto que ilustra o post é uma recriação da Vanity Fair americana sobre o filme Dial M for Murder, do Hitchcock.  Há outras fotos (sobre outros filmes do cineasta) neste link aqui.

Dos livros que li em 2010 I – a lista completa

Tem gente que abre seus closets para o público. Já eu abro minha estante – e não é só porque não tenho roupas bonitas o suficiente, não. Não que importe para alguém o que eu li ou deixei de ler – se bem que o grau de interesse na coleção de sapatos da sub-celebridade do momento também pode ser nulo. Mas no início do ano passado me propus a anotar, mês a mês, o andamento das minhas leituras. Tomei gosto pelo exercício e agora é hora do balanço.

A idiossincrática lista foi crescendo ali no cantinho do blog, e terminou com o taxímetro marcando 90 títulos. Nada mal para um ano de leituras que só começou de verdade no início de março, uma vez que passei janeiro e fevereiro imersa na bibliografia do mestrado, e essa não conta para fins estatísticos (é que eu ainda tenho aquela birra de criança quando é abrigada a ler os livros chatos da escola, desconsiderem).

Agora  finalmente os dividi por categoria – criando, inclusive, a pertinente classificação “farofa” para… bem, farofadas, de uma forma geral. Ainda que eu esteja constrangida com a discrepância “32 romances para 3 livros de poesia” – ou 2 e 1/2, se vocês considerarem que O Fazedor é só em parte um livro de poesia – consegui ter tempo para ler muitas das bobagens que pretendia ler, e para sanar algumas dívidas com o cânone ocidental como A Náusea, A Condição Humana e No Coração das Trevas. Para além de uma lacuna gigantesca na minha formação nerd, que era  Eu, Robô. Ter lido só duas peças, entretanto, me parece crime inafiançável, que pretendo corrigir esse ano. Sem mais delongas e com a mea culpa devidamente feita,

A lista dos livros de 2010

Romances (32)

O Senhor das Moscas – William Golding
A Náusea – Jean Paul Sartre
A arte e a maneira de abordar seu chefe para pedir um aumento – Georges Perec
Poeira: demônios e maldições – Nelson de Oliveira
O Último Leitor – David Toscana
Quarta Feira de Cinzas – Ethan Hawke
Memento Mori – Muriel Spark
Juliet, Nua e Crua – Nick Hornby
No coração das Trevas – Joseph Conrad
A fuga para o Egito – Mario Claudio
A máquina de Joseph Walser – Gonçalo M Tavares
Um Homem: Klaus Klump – Gonçalo M Tavares
Precisamos falar sobre o Kevin – Lionel Shriver
Zazie no Metrô – R. Queneau
De Profundis: Valsa Lenta – José Cardoso Pires
Jersusalém – Gonçalo M Tavares
Um caso de polícia para Dorothy Parker – George Baxt
Sexo Anal – uma novela marrom – Luiz Biajoni
O Evangelho de Barrabás – Jose Roberto Torero, Marcus Aurelius Pimenta
Contraponto – Aldous Huxley
O Túnel – Ernesto Sábato
Complexo de Portnoy – Philip Roth
O morro dos ventos uivantes – Emily Brontë
A Cidade Ausente – Ricardo Piglia
As avós – Doris Lessing
Natália- Helder Macedo
Nada me faltará – Lourenço Mutarelli
Meu Michel – Amós Oz
Rayuela – Julio Cortázar
O único final feliz para uma história de amor é um acidente – João P Cuenca
A guerra do fim do mundo – Mario Vargas Llosa
A mulher habitada- Gioconda Belli

Não-ficção (15)

Memórias de uma moça bem comportada – Simone de Beauvoir
O Professor e o Louco – Simon Winchester
O Clube do Filme – David Gilmour
Contra o Fanatismo – Amós Oz
Mentes Inquietas – Ana Beatriz Barbosa Silva
A viagem de Merlin pelo universo – Neil de Grasse Tyson
A Alma Imoral – Nilton Bonder
A desobediência civil – Henry David Thoreau
Hoje eu sou Alice – Alice Jamieson
Introdução à Literatura Fantástica – T. Todorov.
O último Leitor – Ricardo Piglia
Shakespeare & Company – uma livraria na Paris do entre-guerras. Sylvia Beach
A Condição Humana – Hanna Arendt
Para ler como um escritor – Francine Prose
Heterodoxia – Ernesto Sábato

Contos (10)

Bliss – Katherine Mansfield
Trouxa Frouxa – Vilma Arêas
Big Loira e outras histórias de Nova Iorque – Dorothy Parker
O Fazedor – Jorge Luís Borges
A poética dos cinco sentidos revisitada – vários
Contos Fantásticos – E.T.A Hofmann
Aberração – Bernardo Carvalho
Contos – Katherine Mansfield
No more belongs here more than you – Miranda July
Todas as Cosmicômicas – Italo Calvino

HQs (9)

Cachalote – Daniel Galera e Rafael Coutinho
Fábulas – Bill Willingham (55 edições até agora)
Kafka – Robert Crumb
Preacher – Garth Ennis
O que aconteceu ao homem mais rápido do mundo? – Dave West
Cicatrizes – David Small
Logicomix – Apostolos Doxiadis, Christos H. Papadimitriou, Alecos Papadatos
Scott Pilgrim – Bryan Lee O’Malley
Menina Infinito – Fábio Lyra

Farofa (8)

Orgulho, Preconceito e Zumbis – Jane Austen & Seth Grahame-Smith
A Sociedade Literária e a torta de Casca de Batata – Mary Ann Shaffer e Annie Barrows
Sex and the City – Candace Bushnell
A menina que roubava livros – Marcus Zusak
E os 4 “Crepúsculos”; meninos eu li.

Ficção Científica (7)

A Invasão Divina – Philip K. Dick
Eu, robô – Isaac Asimov
O Homem Bicentenário – Isaac Asimov
Os 3 estigmas de Palmer Eldritch – Philip K Dick
Idoru – William Gibson
Futuro proibido – vários
O quase fim do mundo – Pepetela

Fantasia (6)

The Secret Garden – Frances Hodgson Burnett
A maior flor do mundo – José Saramago
A Bússola de Ouro – Philip Pullman
A Faca Sutil – Philip Pullman
A Luneta Âmbar – Philip Pullman
Lugar Nenhum – Neil Gaiman

Crônica (3)

As 100 melhores crônicas brasileiras
Chabadabadá – Xico Sá
Catecismo de Devoções, Intimidades e Pornografias – Xico Sá

Poesia (3)

Old Possum’s book of Practical Cats – T.S. Eliot
Leaves of Grass – Walt Whitman
O Fazedor – Jorge Luis Borges (eu sei, classifiquei antes como “contos”; mas que culpa tenho se o livro é meio-a-meio?

Teatro (2)

Entre Quatro Paredes – Jean Paul Sartre
Os Reis – Julio Cortázar

No próximo post, os melhores e os piores de 2010 segundo os meus belos olhos castanhos, que venceram  linhas geniais e constrangedoras com a mesma empolgação nos últimos 12 meses. E que já começaram tudo de novo – com o taxímetro zerado e o aviso de  bandeira dois piscando.

Como diria o bardo, “para tão longo amor tão curta vida”, fazer o quê.

Prato do Dia: Amor, Toni Morrison

A Prato do Dia volta em 2011 com um excerto do primeiro livro lido nesse ano.

“(…) Mas seja antigamente, seja hoje, com roupa de baixo decente ou sem nenhuma, mulher sem-vergonha não consegue nunca esconder a inocência – uma esperança de gatinha abandonada de que o príncipe está a caminho. Principalmente as duronas com seus estiletes e a boca suja, ou as sebosas com carros de dois lugares e uma carteira cheia de droga. Nem aquelas que mostram as cicatrizes como se fossem medalhas do governo e com meia enrolada no tornozelo conseguem esconder a criança doce, a menininha encantadora encolhida em algum canto lá de dentro, no meio das costelas, digamos, ou debaixo do coração. Claro que todas tem uma história triste: cuidados de mais, ou de menos, ou do tipo pior. Alguma história de pai dragão ou de homem de coração fingido, ou de mamãe perversa ou de amigos que fizeram mal para elas. Cada história tem um monstro que as faz ficar duras em vez de valentes, de forma que elas abrem as pernas em vez do coração onde aquela criança está dobrada e guardada.”