Stalkers – uma homenagem

Charlize, querida, da próxima vez não coloca o seu endereço residencial no Facebook, tá?*

Um post  para a Nassim, claro.

Rômulo -  meu amigo não tão preocupado com minha integridade física quanto com a quantidade de piadas que pode extrair de meus pequenos dramas cotidianos – diz que eu tenho um talento especial para atrair stalkers. A teoria dele é de que eu só estou viva até hoje porque os meus personal-psychos estão ocupados em um torneio. O campeão, claro, terá por prêmio a minha cabeça.

Claro que qualquer um com um blog e meia dúzia de contas nas principais redes sociais pode ser uma vítima potencial da prática (e vamos ficar apenas no “saudável” cyberstalking, porque nem vale a pena comentar sobre o quão bizarro é ter uma pessoa te seguindo por onde quer que você vá na vida real). Eu coleciono algumas boas histórias. Como os  e-mails de quatro caras diferentes que eu imaginava terem sido tragados pela terra e que resolveram dar um alô coincidentemente na semana em que terminei um namoro. Ou uma ligação numa manhã de domingo porque o sujeito se dizia “preocupado” comigo: ele havia acompanhado meu last.fm de madrugada e visto que eu havia passado a noite ouvindo a banda x e que, por conseguinte, só poderia estar deprimida. Quem é que consegue voltar a dormir depois disso, me diz?

Mas, verdade seja dita, qualquer um com um blog e meia dúzia de contas nas principais redes sociais pode ser também um stalker em potencial. E que atire o primeiro pixel quem nunca comparou scrapbooks, escarafunchou álbuns virtuais de fotos, foi checar status de relacionamento no Facebook; quem nunca se irritou com configurações de privacidade – alheia, claro – e não fez um pequeno muxoxo quando o Orkut (falecido Orkut, descanse em paz!) lançou aquela ferramenta que permitia que as pessoas soubessem quem acessou o perfil delas.

Foi pensando no pequeno stalker perdido dentro de cada um de nós, pessoas normais que NÃO ligam para as outras às oito horas de uma manhã de domingo para perguntar sobre a playlist da madrugada, mas que ainda assim não podemos nos furtar às conjecturas sobre a vida alheia, que Neil Gaiman compôs essa maravilha de poema, musicado pela Amanda Palmer.

I Google you
Late at night when I don’t know what to do
I find photos you’ve forgotten you were in
Put up by your friends

I do, I Google you
When the day is done and everything is through
I read your journal that you kept that month in France
I’ve watched you dance

And I’m pleased your name is practically unique
It’s only you and a would-be PhD from Chesapeake
Who writes papers on the structure of the sun
I’ve read each one

I know that I should let you fade
But there’s that box and there’s your name
Somehow it never makes the pain grow less or fade or disappear
I think that I should save my soul and I should crawl back in my hole
But it’s too easy just to fold and type your name again, I fear

I Google you
When I’m all alone and feeling blue
And each scrap of information that I gather
Says you’ve found somebody new
And it really shouldn’t matter
Ought to blow up my computer
But instead…
I Google you

 

Breves biografias, para facilitar o devido ‘estalqueamento’ dos envolvidos:

Gabriela Ventura é stalker ocasional, e pretende manter sua cabeça colada ao corpo em 2011.

Nassim Natalie é stalker em recuperação e eu sou Catarina da Áustria.

Rômulo Pereira é só um inútil mesmo, cuja vida não interessa a ninguém.


* A foto que ilustra o post é uma recriação da Vanity Fair americana sobre o filme Dial M for Murder, do Hitchcock.  Há outras fotos (sobre outros filmes do cineasta) neste link aqui.

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4 comentários sobre “Stalkers – uma homenagem

  1. Não lembrei de você num domingo pela manhã por que suspeitei de sua tristeza através do last.fm ou twitter, mas porque tive a alegria de lembrar que, quando eu ainda tinha twitter e last.fm, me esquecia dos blogs e perdia de ler um dos mais interessantes: o seu. Grande abraço.

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