Desafio Literário 2012

Vagando por uma série de blogs ao longo de 2011 (como esse aqui, que acompanho), vi vários posts que faziam menção a um tal Desafio Literário. Mas, como sempre, eu meio que peguei o bonde andando e, quando finalmente descobri o que era e como funcionava, o ano já estava quase no fim. Pois bem, o Desafio Literário consiste em ler, no mínimo, 12 livros em um ano, (pelo menos) um a cada mês, respeitando os temas sugeridos. Os participantes deverão produzir resenhas sobre as leituras mensais e há uma espécie de sorteio entre os sobreviventes à guisa de premiação.

Resolvi aderir à edição de 2012, porque colocar algum tipo de regra na minha vida – ainda que completamente aleatória – é um exercício saudável. Me obrigar a realizar projetos, sejam eles “úteis” ou não, é uma forma de  lutar contra o Bartebly que há em mim. E vou te falar que a briga é feia, viu. Sai, encosto de Bartebly, sai!

Sem mais delongas, vamos à lista dos temas propostos, parte do meu plano suicida de leitura para 2012, no qual tentarei agregar o desafio à lista de leituras obrigatórias do doutorado… e àquelas que irão inevitavelmente surgir no meu horizonte de leitora dispersa. É claro que o cronograma vai ser completamente alterado Há meses em que tenho livros demais, há meses em que não faço ideia do que vou ler. Conto com a ajuda dos amigos e leitores. Ouviram?

Janeiro

Literatura Gastronômica – mês dedicado ao sabor da leitura. Afinal, leitura sem gosto não tem a menor graça. Em razão disso, propomos um tema leve, divertido e saboroso; sejam em forma de crônicas, poesias, romances, diários, biografia, memórias e demais gêneros que versem sobre a temática da comida.  ATENÇÃO: Livros contendo apenas receitas não valem.

Como água para chocolate – Laura Esquivel. Excelente oportunidade para finalmente ler esse livro, um dos muitos encalhes das minhas estantes. Comprei um exemplar num sebo quando eu ainda estava na graduação, mas centenas de leituras prioritárias passaram na frente. E depois que o livro é tragado pela entropia da sua biblioteca, você sequer se lembra de tê-lo comprado e, às vezes, até compra uma duplicata. Mas estou otimista: vai ser um  jeito bacana de me desintoxicar das duas monografias de doutorado que eu terei de entregar no mesmo mês. No melhor dos mundos, quem sabe eu não me anime e teste algumas receitas que são parte do romance?

Eu sei, a Laura Esquivel era a opção mais óbvia. Mas é que eu descobri que não entendo nada de literatura-culinária, se é que se pode chamar isso de gênero. Alguém pode me indicar outros livros que girem em torno de comida?

Fevereiro

Nome Próprio (de pessoas) – existem personagens cujo imenso carisma  ganha logo destaque na capa de um livro.  E a regra do mês é essa: só vale livros cujo título seja um nome próprio – e apenas ele -, exemplo: Quincas Borba, Benjamin, Emma. Vai ser divertido e muito fácil caçar títulos do tipo; seja na estante de casa, de uma livraria ou de uma biblioteca.  ATENÇÃO: apenas nome próprio de pessoas!

1) Orlando – Virginia Woolf – outro livro que comprei há éons, nunca li  e sempre que olho para ele sinto aquela pontinha de de culpa cristã. Ainda mais porque “as Virginias” ficam em uma das minhas “prateleiras de honra”, dedicadas aos meus autores favoritos – a obra dela está justamente entre a do Calvino e a do Fante. (Não sei se madame Woolf teria escolhido sentar-se à mesa ao lado desses específicos vizinhos, mas tenho certeza de que ela está em boa companhia.)

2) Jane Eyre – Charlote BrontëEsse entrou para a lista porque uma amiga disse que o romance é “a minha cara”. Eu nunca sei ao certo o que as pessoas querem dizer  quando acham alguma coisa “a minha cara”, e se isso é bom, mau ou só esquisito. No entanto, em respeito à confiança que tenho com as sugestões dessa amiga, vou dar uma chance a mais uma das 450 irmãs Brontë – só eu que tenho a impressão de que elas foram produzidas em larga escala?

Março

Serial Killer – O tema é autoexplicativo, mas para não dar margem às dúvidas, vamos lá: Literatura Policial em que há a combinação de (policiais/detetives), investigação e, claro, homicídios seriados.

Eu não faço ideia do que vou ler. Eu até curto literatura policial. Quer dizer, mais ou menos. Acho que a verdade é que eu curto mesmo o Raymond Chandler, o resto cai na minha mão meio que por acidente. De livros sobre serial killers, eu só consegui pensar em O Silêncio dos Inocentes, Hannibal e Dragão Vermelho, do Thomas Harris. Mas esses eu li na adolescência, na época que nutri uma saudável obsessãozinha (?) pelo Doutor Lecter.

O namorado veio com a ideia d’O Xangô de Baker Street, do Jô Soares, que afinal é uma comédia, mas segue a fórmula. O problema é que também já li. Também lembrei de Do Inferno, do Alan Moore – mas além de não valer Graphic Novel (o mês é para o formato outro)também já está  lido.

Minha pesquisa no google não deu em muita coisa. Só aquelas capas de gosto duvidoso e aqueles plots que parecem roteiros de meio de temporada do CSI. Fora que qualquer coisa que precise anunciar na capa, em letras garrafais MAIS DE UM PORRILHÃO DE EXEMPLARES VENDIDOS não costuma dar em boa coisa. Não, obrigada. O site do desafio sugere a leitura da série Dexter, mas eu realmente não simpatizo com o personagem e sua narração monocórdia “eu não tenho sentimentos, eu sou diferente de você e vou repetir isso nas próximas 400 páginas enquanto retalho meia dúzia de assassinos”. Podem jogar suas pedras agora, crianças, eu deixo. Não tive paciência para avançar pela série, imaginem pelos livros.Então é o tal negócio: aceito sugestões. Se o tempo ficar curto, exigirei sugestões, e ninguém gosta de me ouvir/me ler reclamando, certo?

Ps – Caso meus pedidos e ameaças não surtam o efeito desejado, tenho um plano maléfico de ler Christine,  do Stephen King (sim, eu sei que você também viu esse filme no SBT) e escrever umas dez laudas justificando o flerte do carro assassino com o gênero noir. Usarei o Jameson, o Lyotard, o papa se necessário for.

Abril

Escritor(a) oriental – que tal explorar a terra do Sol nascente e demais países do Extremo Oriente e do sul da Ásia? Entram em cena os escritores chineses, japoneses, indianos, coreanos, etc…

1) 1Q84 – É o novo do Murakami, então não preciso dizer muito. Difícil vai ser esperar até abril para ler o romance. Mas olha só, justamente no mês do meu aniversário… fica a dica de presente, amiguinhos.

2) Matacão, uma lenda tropical, Karen Yamashita – a despeito do título, que bem poderia servir para novela da falecida Manchete, as indicações que tenho sobre esse livro são boas. Um pessoal da UFF que trabalha com pós-humano, sci fi e outras esquisitices que eu particularmente curto disse que eu iria adorar o livro, que se passa em grande parte no Brasil.

Maio

Fatos Históricos – Esse mês será destinado à leitura de romances cuja trama apresente acontecimentos que marcaram a história nacional ou mundial. Frisando, apenas romances. Não valem livros de História Geral, nem biografias.

Eu não sou uma entusiasta de romances históricos*. MESMO. Quando eu era adolescente gostava de reconstituições da Roma e Grécia antigas (Memórias de Helena de Tróia, os livros do Alan Massie, essas coisas), mas a onda passou. Tive uma breve fase Victor Hugo, que também acabou. Toda vez que eu escuto o termo “novo romance histórico” tenho vontade de sair de fininho.  A ironia é que estudo Literatura Portuguesa, e escritores portugueses costumam ter fixação por história. Tanto que tenho de ficar dando voltas para achar temas de estudo que não envolvam a tal história portuguesa, pré ou pós Revolução dos Cravos. Então o que não me falta para esse mês é bibliografia negligenciada ao longo dos anos, posso até escolher.

Mario de Carvalho, Agustina Bessa Luís, Lobo Antunes, Mario Claudio, Lidia Jorge… vou pensar em algo até lá, se minha preguiça assim permitir.

* As exceções: A Condição Humana, de André Malraux, que me deixou sem respirar desde a primeira cena. E Memorial do Convento, de José Saramago, um dos romances mais bonitos que já tive o privilégio de ler. Pago pau mesmo.

UpdateUma história do mundo em 10 1/2 capítulos, do Julian Barnes. Sugestão do almanaquista Marcos Faria.

Junho

Viagem no Tempo – romances que abordem a ida de viajantes do  tempo para o passado  ou futuro. Se eles voltam ou não, só a história dirá. Em tempo: Livros científicos ficam de fora.

1) A Máquina do Tempo, H.G. Wells – que eu adoro ficção científica não é segredo para ninguém. Mas tenho várias lacunas no gênero. Não li obras e autores considerados clássicos, como, por exemplo, o H.G. Wells. Antes tarde do que nunca.

2) O fim da eternidade – Isaac Asimov. Não preciso explicar. Minha admiração pelo Asimov só cresce, a cada livro lido. É um visionário e um humanista.

Julho

Prêmio Jabuti - Esse é o prêmio mais importante do cenário brasileiro. E conta com 29 categorias, mas para fins do Desafio Literário valem apenas as categorias Livro do ano e Romance, de qualquer uma das 53 edições da referida premiação de leitura. Para abrir mais o leque de opções: além das obras ganhadoras, é permitida a leitura das obras indicadas ao prêmio. Clique no link e pesquise http://www.cbl.org.br/jabuti/telas/edicoes-anteriores/

Passei tempo demais no site e não consegui me decidir o que ler. O tema é tão pouco restritivo que eu me perco no mar das possibilidades quase infinitas. Tenho até julho para pensar, sejam condescedentes com a minha indecisão.

Agosto

Terror - O tema impõe a regra: tem que ser história que mete medo. Pode ser suspense psicológico ou sobrenatural, isto é, valem tanto as histórais com personagens sobrenaturais (vampiro, zumbi, bruxas, lobisomem…) como as narrativas com personagens humanos.

Meu problema com diversos meses atingiu um padrão: essa história de só valerem leituras, e não releituras, está me tirando do sério. Eu colocaria A Volta do Parafuso do Henry James fácil fácil no meu elenco de literatura de terror. Até porque narrativas macabras envolvendo criancinhas from hell é sempre mais divertido. Por essa mesma razão incluiria O Iluminado, do Stephen King. All work and no play makes Jack a dull boy. Enquanto elaborava a lista (e estou fazendo isso há mais de uma semana, na verdade), nada me vem a cabeça. Mais um mês em que escrevo um blablablá qualquer pra dizer que pensarei em algo. Pensarei em algo. (Juro!)

Update: O Bigode - Emmanuel Carrère - sugestão da @alinecoelha.

 

Mitologia universal – Romances, poesias, contos que abordem mitos e lendas de culturas distintas (brasileira, Greco-romana, céltica, indiana, mexicana, nórdica, etc…).  É um universo de opções!!! Mas até que Setembro chegue, há um bom tempo para a pesquisa e aquisição. É mandar ver.

As Brumas de Avalon Opa. Tive meu momento Távola Redonda Feminista na adolescência.  Quem nunca?

1) Luka e o fogo da vida – Salman Rushdie - A justificativa é simples: Salman Rushdie escrevendo sobre mitologia e videogame. Oi? Uma premissa bizarra demais para ser ignorada. (Não sabe sobre o que estou falando? Leia a matéria aqui).

2) Os filhos da Meia Noite – Salman Rushdie  - Só para fazer a dobradinha.

Outubro

Graphic Novel – Vamos nos divertir mais! Para quem não sabe, Graphic Novel é um romance gráfico com enredos longos e complexos no formato de história em quadrinhos. ATENÇÃO: não valem gibis, aqueles de periodicidade mensal.

Em outubro posso aproveitar algumas graphic novels crássicas que deixei passar, e talvez agregar outras ao círculo de leituras. Mas pressinto que não será tão simples. Ao ler esse post, o namorado provavelmente virá com umas 10 sugestões em coisa de 15 segundos.

1) Maus – Art Spiegelman – Não, eu nunca li Maus inteiro. Tá na hora, né?

2) A Liga Extraordinária – Alan Moore Só porque eu continuo com o projeto de ler tudo o que o Alan Moore escreveu, aquele lindo. (?)

3) Jimmy Corrigan – o menino mais esperto do mundo – Chris Ware – Comecei a ler na livraria e não trouxe para casa porque a conta estava no vermelho. Melhor  juntar uns cobres desde já.

Novembro

Escritor(a) africano - que tal ler um autor nascido na grande mãe África? Pegue o mapa e monte o seu roteiro literário pelo continente africano.

A faculdade me trouxe algum conhecimento de literatura africana em língua portuguesa. Um amigo que vive e respira o tema completou o panorama. Não sou nenhuma especialista – tô longe disso, pra falar a verdade – mas conheço alguma coisa de Mia Couto, Pepetela, Agualusa, Luandino Vieira, Manuel Rui… Por esta razão, queria ler algo que fosse literatura africana em outras línguas. Se você tiver alguma sugestão, por favor, não se acanhe. Por enquanto, o único grande nome que consigo me lembrar para postar aqui:

1) Desonra – J.M. Coetzee (África do Sul)

Mas eu gostaria de descobrir autores francófonos, por exemplo. Entre outros. Nomes, eu quero nomes!

Dezembro

Poesia -  A correria típica do mês pede descanso, especialmente, para a alma. Vamos de lavar a alma com poesia! De qualquer forma e jeito, valem Haicais, acrósticos, épicos,  cânticos, elegias…, em outras palavras, pesquise, pesquise, pesquise!)

Tenho um milhão de livros de poemas não lidos – não é como se eu fosse uma  leitora assídua de poesia (e é com pesar que constato isso). Portanto, estou com o mesmo problema do mês do Jabuti: opções quase infinitas. A vida costuma ser curta demais para os livros que queremos ler.

Para além de sugestões e pitacos, agora e durante 2012, quero ver se convenço mais gente a participar comigo. É quase a mesma lógica de entrar numa academia ou fazer um regime em conjunto: um dá força para o outro, e impede o ataque àquelas sobremesas calóricas no meio da madrugada. Por enquanto só consegui convencer a Luara, do Isaac Sabe, a me acompanhar nessa empreitada. Mais alguém? As inscrições vão até 15 de dezembro.